sábado, 3 de janeiro de 2009

Imperador romano no «top ten»


O Expresso/Economia de hoje, 03 de Janeiro de 2009, na secção «Em off» traz este pequenino texto:
«O imperador e filósofo romano Marco Aurélio já tinha a imortalidade garantida, mas as suas ‘Meditações’ ganharam este ano nova vida. O livro, escrito há 1800 anos e considerado um clássico do estoicismo, integra a lista dos dez mais vendidos de 2008 divulgada pelo ‘China Daily’, o jornal oficial chinês em língua inglesa.»
E lá me vem à memória um pequeno livro que comprei na minha juventude – com que sacrifício juntava semanalmente os indispensáveis 15$00 para conseguir cada volume dos livros de bolso RTP/Biblioteca Básica Verbo – e que acabei por ler na altura (o registo que coloquei na última página assinala 16 de Janeiro de 1973).
Na contracapa lá aparece a «apresentação» do livro: “Data do século II da nossa era o conjunto de reflexões apresentadas neste volume. Imperador e filósofo, Marco Aurélio escreveu-as «para si mesmo», segundo o título original da obra. Porém, a todos é dado lê-las. Expressão dos mais nobres sentimentos humanos, este livro atrai o leitor pelo tom de autenticidade que nele se alia ao encanto do estilo.”
À guisa de conclusão, resta-me um desabafo (!?!): Só agora é que os chineses descobriram Marco Aurélio? Obviamente que não, mas por acaso já descobri Marco Aurélio escritor há mais de 35 anos!

sábado, 27 de dezembro de 2008

HAROLD PINTER (1930-2008)

Uma homenagem a um poeta e dramaturgo que não conheço e de quem nunca li qualquer obra. Mas recordo ecos que os media fizeram renascer do seu discurso, aquando da entrega do Prémio Nobel, em 2005, um discurso quase encenado (?) porque o autor saíra de propósito do hospital onde se encontrava internado.
Como cidadão, não se coíbe de fazer um ataque cerrado à política externa norte-americana, - posição já expressa no tal discurso de aceitação do Nobel da Literatura - sobretudo por causa da invasão do Iraque. Chamar a Tony Blair, então ainda primeiro ministro-britânico, "idiota iludido" e a George W. Bush, "assassino em massa", não pode ser apenas mera oposição política. Advém de alguém que se recusou a fazer o serviço militar, em 1948. Provavelmente conhecera na pele os horrores da guerra!

SAMUEL P. HUNTINGTON (1927-2008)

Acabo de saber da morte de Samuel Huntington, autor de “O Choque das Civilizações e a Mudança na Ordem Mundial”, obra que li quase de um fôlego há pouco mais de dois anos (Julho de 2006). Fora-me recomendada por razões profissionais, aquando de uma acção de formação. Deveria indicar aos alunos a leitura de algumas páginas e, naturalmente, era salutar que tivesse uma visão de conjunto. Devo acrescentar que o seu conteúdo não constituía absoluta novidade, ou porque já encontrara pontos de vista semelhantes em artigos de revistas ou jornais, ou porque conversações ocasionais proporcionaram a expressão de ideias muito próximas. No entanto, quando esta temática – os choques civilizacionais – foram tema de um debate nos “Prós e Contras”, fiquei perplexo quando um professor de uma universidade, na primeira fila, considerou o livro de Huntington “cientificamente sofrível”. Ideias são ideias e cada um pode dizer o que quiser, mas fundamentado. E que fundamentos tenho eu para o contestar. Mas aquela expressão assim a seco deixou-me um pouco abalado. Considero que é muito cedo ainda para tal afirmação, a não ser que tantos acontecimentos que nos vão envolvendo sejam meros actos fortuitos.
Honra ao homem e à obra, pelo menos porque considero o seu ponto de vista mais «uma pedrada no charco».

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Um livro – A Rota das Especiarias

Oferta, foi um livro que li durante as férias. Um olhar para o mar e um «sonho» daquilo que aprendi e ensino. Sim, porque a nossa história dá-nos a nossa visão, sobretudo. Mas também não há versões definitivas. Independentemente desta “querela” – qual a melhor história não há – gostei imenso do livro. Não é que ponha em causa o labor pátrio e os seus heróis. Factos são factos! No entanto, e fazendo jus ao autor, gostei desta afirmação:
os portugueses foram descobridores no Atlântico, conquistadores no Índico e comerciantes no Oriente Extremo.
Outro aspecto que advém da leitura: a dinâmica que a busca e o controlo das especiarias impuseram à civilização, durante séculos.
Apesar da distância do tempo – Agosto já lá vai – deixo o meu testemunho e a minha recomendação: quem quiser ter uma visão mais completa da rota das especiarias ao longo da história de vários séculos, povos e dirigentes políticos, onde não faltam heróis e vilãos, deve lê-lo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

João Ubaldo Ribeiro



Nunca li qualquer obra do prémio Camões 2008, mas o seu nome não me era desconhecido. E quando li o pequeno texto da coluna de Henrique Raposo (Expresso de 02 Agosto 2008) não percebi aquele «monólogo de uma libertina» e «No Ocidente, também há homens que não se importariam de enfiar burkas em todas as mulheres ‘gostosíssimas’». Curiosamente, na mesma edição do Expresso, no caderno Actual, lá aparecia a explicação: Ubaldo “se tornou notícia em Portugal por duas cadeias de supermercados terem proibido a venda do romance «A Casa dos Budas Ditosos» devido às suas obscenidades”.
Afinal, os ditos cujos “palavrões” não são apenas literatura; dão também muito dinheiro. Daí aquela liberdade de criança: dizer palavrões era ser grande, era deixar de ser pequenino. E o dinheiro sempre dá liberdade e grandeza. E como é que se consegue dizer o contrário aos alunos, sobretudo em momentos de rebeldia ou de grandeza? São mal-educados... Arte e liberdade em confronto…

domingo, 10 de agosto de 2008

Ferreira de Castro e “O Instinto Supremo”

Parece que também há modas com os autores; ou se não são modas, são qualquer coisa que atira alguns para o esquecimento (?). Como estudante, ainda naquele 5.º ano “dividido” em secção de letras e de ciências, havia um autor português, cujas obras principais eram assim memorizadas: os Emigrantes d’A Selva dão A Volta ao Mundo. E acrescentava-se outro título porque havia textos na própria Selecta de Português: A Lã e A Neve. Claro, refiro-me a Ferreira de Castro, um autor que parece arredado e esquecido, apesar de sua vasta produção literária. Recentemente terminei a leitura daquela que vi referenciada como a sua última obra: O Instinto Supremo. E ao lê-la revi e tentei estabelecer o paralelismo possível com um dos filmes que, por dever profissional, mais tenho visto: A Missão de Roland Joffé. Épocas diferentes, homens já sul-americanos, apenas a «expansão da civilização» explicitada na frase: “Morrer se necessário for; matar, nunca!” na política de Cândido Rondon. É o esforço de aproximação – o título de Ferreira de Castro não é História, antes um romance – que contrasta com a mortandade com que termina o filme em nome da cobiça dos homens.

Soljenitsin



Um apontamento, apenas, para recordar Soljenitsin, agora que se anunciou a sua morte (3 Agosto de 2008). Terminei de ler o seu livro «Um Dia na Vida de Ivan Denisovich» em 18 de Outubro de 1972. Marcou-me “o seu relato e testemunho”. Razões políticas, claro. Ouvira falar dele pela primeira vez, ou vira o seu nome escrito, algures, quando é laureado com o Nobel, mas não liguei. Curiosamente, é nas nossas «conversas políticas» de juventude que o seu nome é referido como denunciador de algo que não era tão salutar do «outro lado». E como surgiram naqueles anos (1969? 1970?) várias edições de livros de bolso com publicação semanal – a RTP foi a primeira (?) –, quando as Publicações Europa-América se lançaram também na sua publicação, lá me esforçava por adquirir cada número. Custava, cada volume, 15$00 que me esforçava por juntar, abdicando de gastar um tostão noutra coisa qualquer. Vício dos livros… e da leitura. Tal como hoje!