segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Um livro – A Rota das Especiarias

Oferta, foi um livro que li durante as férias. Um olhar para o mar e um «sonho» daquilo que aprendi e ensino. Sim, porque a nossa história dá-nos a nossa visão, sobretudo. Mas também não há versões definitivas. Independentemente desta “querela” – qual a melhor história não há – gostei imenso do livro. Não é que ponha em causa o labor pátrio e os seus heróis. Factos são factos! No entanto, e fazendo jus ao autor, gostei desta afirmação:
os portugueses foram descobridores no Atlântico, conquistadores no Índico e comerciantes no Oriente Extremo.
Outro aspecto que advém da leitura: a dinâmica que a busca e o controlo das especiarias impuseram à civilização, durante séculos.
Apesar da distância do tempo – Agosto já lá vai – deixo o meu testemunho e a minha recomendação: quem quiser ter uma visão mais completa da rota das especiarias ao longo da história de vários séculos, povos e dirigentes políticos, onde não faltam heróis e vilãos, deve lê-lo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

João Ubaldo Ribeiro



Nunca li qualquer obra do prémio Camões 2008, mas o seu nome não me era desconhecido. E quando li o pequeno texto da coluna de Henrique Raposo (Expresso de 02 Agosto 2008) não percebi aquele «monólogo de uma libertina» e «No Ocidente, também há homens que não se importariam de enfiar burkas em todas as mulheres ‘gostosíssimas’». Curiosamente, na mesma edição do Expresso, no caderno Actual, lá aparecia a explicação: Ubaldo “se tornou notícia em Portugal por duas cadeias de supermercados terem proibido a venda do romance «A Casa dos Budas Ditosos» devido às suas obscenidades”.
Afinal, os ditos cujos “palavrões” não são apenas literatura; dão também muito dinheiro. Daí aquela liberdade de criança: dizer palavrões era ser grande, era deixar de ser pequenino. E o dinheiro sempre dá liberdade e grandeza. E como é que se consegue dizer o contrário aos alunos, sobretudo em momentos de rebeldia ou de grandeza? São mal-educados... Arte e liberdade em confronto…

domingo, 10 de agosto de 2008

Ferreira de Castro e “O Instinto Supremo”

Parece que também há modas com os autores; ou se não são modas, são qualquer coisa que atira alguns para o esquecimento (?). Como estudante, ainda naquele 5.º ano “dividido” em secção de letras e de ciências, havia um autor português, cujas obras principais eram assim memorizadas: os Emigrantes d’A Selva dão A Volta ao Mundo. E acrescentava-se outro título porque havia textos na própria Selecta de Português: A Lã e A Neve. Claro, refiro-me a Ferreira de Castro, um autor que parece arredado e esquecido, apesar de sua vasta produção literária. Recentemente terminei a leitura daquela que vi referenciada como a sua última obra: O Instinto Supremo. E ao lê-la revi e tentei estabelecer o paralelismo possível com um dos filmes que, por dever profissional, mais tenho visto: A Missão de Roland Joffé. Épocas diferentes, homens já sul-americanos, apenas a «expansão da civilização» explicitada na frase: “Morrer se necessário for; matar, nunca!” na política de Cândido Rondon. É o esforço de aproximação – o título de Ferreira de Castro não é História, antes um romance – que contrasta com a mortandade com que termina o filme em nome da cobiça dos homens.

Soljenitsin



Um apontamento, apenas, para recordar Soljenitsin, agora que se anunciou a sua morte (3 Agosto de 2008). Terminei de ler o seu livro «Um Dia na Vida de Ivan Denisovich» em 18 de Outubro de 1972. Marcou-me “o seu relato e testemunho”. Razões políticas, claro. Ouvira falar dele pela primeira vez, ou vira o seu nome escrito, algures, quando é laureado com o Nobel, mas não liguei. Curiosamente, é nas nossas «conversas políticas» de juventude que o seu nome é referido como denunciador de algo que não era tão salutar do «outro lado». E como surgiram naqueles anos (1969? 1970?) várias edições de livros de bolso com publicação semanal – a RTP foi a primeira (?) –, quando as Publicações Europa-América se lançaram também na sua publicação, lá me esforçava por adquirir cada número. Custava, cada volume, 15$00 que me esforçava por juntar, abdicando de gastar um tostão noutra coisa qualquer. Vício dos livros… e da leitura. Tal como hoje!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Doris Lessing

Sabem quem é Doris Lessing? Até Novembro de 2007, eu não sabia. Depois soube que era a vencedora do Prémio Nobel da Literatura 2008. Nunca li qualquer livro seu, não sei indicar um único título da sua obra. Só sei que já há vários anos está na casa dos 80! Provecta idade, portanto, e muita honra.
E a que propósito este comentário?
Hoje, 16 de Maio, ao folhear o SEXTA, na secção «Entre Aspas», leio esta frase:
“O Nobel [Literatura] foi um desastre na minha vida. A única coisa que faço é dar entrevistas e passo o tempo a ser fotografada”.
Isto é, o preço da fama tem custos, e outros dão tudo por 5 minutos da dita cuja! O tal «saber de experiência feito» não é despiciendo.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

José Rodrigues Miguéis

Hoje, Dia do Livro, tinha de assinalar a data com um pequeno comentário sobre um "livro". De um fôlego, e muito pequeno, diga-se, li o n.º 10 dos Cadernos Biográficos do "Público", precisamente intitulado JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS. Nunca lera qualquer obra sua e apesar do seu nome não me ser totalmente desconhecido, apenas me recordo de ver recomendada a leitura de um seu livro sobre a Grande Depressão dos Anos 30. Pela leitura deste Caderno compreendi a razão dessa proposta, afinal alguém que sentiu na carne a dor da emigração. E despertei para a necessidade de conhecer também a sua obra literária.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Dia do Livro Infantil

Regresso a "ESTEIROS"

Hoje, como por acaso, vi algures que era o Dia do Livro Infantil. Não que acredite naquilo que um dia ouvi de uma amigo – os dias especiais são um passo para travar a sua decadência e desaparecimento –, pois jamais o livro infantil deixará de ser produto de primeira necessidade. Mas este dia faz-me lembrar a minha infância e um livro que li na juventude. Não se trata de um livro infantil, portanto, mas é um livro especial porque foi o livro mais lido por aquela turma do 6.º B de uma escola no Norte alentejano. Gineto, Gaitinhas… podiam ser alguns de nós. Revimo-nos em muitas atitudes daquelas crianças que nunca foram crianças. Trata-se de “Esteiros” e de Soeiro Pereira Gomes. Li muitos livros como criança – as aventuras dos 7 ou dos 5 foram “devoradas” – mas livros de contos ou pequenos livros, estes mais para crianças, penso, foram lidos para estar dentro das estórias já numa situação profissional. E destes pequenos livros guardo alguns que foram oferecidos pelos alunos da sua «biblioteca de turma».