A Várias centenas de milhares de livros editados há mais de quatro anos pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda (IN-CM) poderão ter que ser destruídos caso os autores ou seus herdeiros não os adquiram, reclamem ou permitam a doação. Alcides Gama, director comercial da IN-CM, disse à agência noticiosa Lusa que a pretensão não é destruir livros, mas antes encontrar instituições, como bibliotecas, que os acolham, já que livros são "cultura". Não é porém possível que a IN-CM continue com todas aquelas obras em armazém porque ocupam um espaço "infindo", disse. Para encontrar instituições que acolham as obras publicadas há mais de quatro anos e que não obtiveram sucesso comercial, a IN-CM está a encetar contactos com a Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP), câmaras municipais, Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, Ministério da Cultura e bibliotecas de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). A oferta de livros a instituições aca-ba, porém, por levantar um problema para Alcides Gama: "Se as bibliotecas se habituam a receber os livros oferecidos acabam por não os comprar e os livros são feitos para ser vendidos", defende.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Casa da Moeda pode ter de destruir milhares de livros
A Várias centenas de milhares de livros editados há mais de quatro anos pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda (IN-CM) poderão ter que ser destruídos caso os autores ou seus herdeiros não os adquiram, reclamem ou permitam a doação. Alcides Gama, director comercial da IN-CM, disse à agência noticiosa Lusa que a pretensão não é destruir livros, mas antes encontrar instituições, como bibliotecas, que os acolham, já que livros são "cultura". Não é porém possível que a IN-CM continue com todas aquelas obras em armazém porque ocupam um espaço "infindo", disse. Para encontrar instituições que acolham as obras publicadas há mais de quatro anos e que não obtiveram sucesso comercial, a IN-CM está a encetar contactos com a Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP), câmaras municipais, Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, Ministério da Cultura e bibliotecas de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). A oferta de livros a instituições aca-ba, porém, por levantar um problema para Alcides Gama: "Se as bibliotecas se habituam a receber os livros oferecidos acabam por não os comprar e os livros são feitos para ser vendidos", defende.
sábado, 31 de janeiro de 2009
IR PRÒ MANETA de Vasco Pulido Valente
Um centenário que se vive/viveu (?), o das Invasões Francesas, e um pequeno livro que nos dá a visão do país – o país mais real porque mais profundo – que aquele que os compêndios nos dão. A luta contra os franceses e os colaboracionistas tem muito pouco de institucional e muito mais de liberdade contra o «estrangeiro» e o «senhor». Pela leitura fácil, pelo heroísmo do povo humilde, ignorante e tão manipulado/manipulável, tão crente mas também tão senhor da sua crença, recomendo-o.
sábado, 3 de janeiro de 2009
Imperador romano no «top ten»

O Expresso/Economia de hoje, 03 de Janeiro de 2009, na secção «Em off» traz este pequenino texto:
«O imperador e filósofo romano Marco Aurélio já tinha a imortalidade garantida, mas as suas ‘Meditações’ ganharam este ano nova vida. O livro, escrito há 1800 anos e considerado um clássico do estoicismo, integra a lista dos dez mais vendidos de 2008 divulgada pelo ‘China Daily’, o jornal oficial chinês em língua inglesa.»
E lá me vem à memória um pequeno livro que comprei na minha juventude – com que sacrifício juntava semanalmente os indispensáveis 15$00 para conseguir cada volume dos livros de bolso RTP/Biblioteca Básica Verbo – e que acabei por ler na altura (o registo que coloquei na última página assinala 16 de Janeiro de 1973).
Na contracapa lá aparece a «apresentação» do livro: “Data do século II da nossa era o conjunto de reflexões apresentadas neste volume. Imperador e filósofo, Marco Aurélio escreveu-as «para si mesmo», segundo o título original da obra. Porém, a todos é dado lê-las. Expressão dos mais nobres sentimentos humanos, este livro atrai o leitor pelo tom de autenticidade que nele se alia ao encanto do estilo.”
À guisa de conclusão, resta-me um desabafo (!?!): Só agora é que os chineses descobriram Marco Aurélio? Obviamente que não, mas por acaso já descobri Marco Aurélio escritor há mais de 35 anos!
«O imperador e filósofo romano Marco Aurélio já tinha a imortalidade garantida, mas as suas ‘Meditações’ ganharam este ano nova vida. O livro, escrito há 1800 anos e considerado um clássico do estoicismo, integra a lista dos dez mais vendidos de 2008 divulgada pelo ‘China Daily’, o jornal oficial chinês em língua inglesa.»
E lá me vem à memória um pequeno livro que comprei na minha juventude – com que sacrifício juntava semanalmente os indispensáveis 15$00 para conseguir cada volume dos livros de bolso RTP/Biblioteca Básica Verbo – e que acabei por ler na altura (o registo que coloquei na última página assinala 16 de Janeiro de 1973).
Na contracapa lá aparece a «apresentação» do livro: “Data do século II da nossa era o conjunto de reflexões apresentadas neste volume. Imperador e filósofo, Marco Aurélio escreveu-as «para si mesmo», segundo o título original da obra. Porém, a todos é dado lê-las. Expressão dos mais nobres sentimentos humanos, este livro atrai o leitor pelo tom de autenticidade que nele se alia ao encanto do estilo.”
À guisa de conclusão, resta-me um desabafo (!?!): Só agora é que os chineses descobriram Marco Aurélio? Obviamente que não, mas por acaso já descobri Marco Aurélio escritor há mais de 35 anos!
sábado, 27 de dezembro de 2008
HAROLD PINTER (1930-2008)
Uma homenagem a um poeta e dramaturgo que não conheço e de quem nunca li qualquer obra. Mas recordo ecos que os media fizeram renascer do seu discurso, aquando da entrega do Prémio Nobel, em 2005, um discurso quase encenado (?) porque o autor saíra de propósito do hospital onde se encontrava internado.
Como cidadão, não se coíbe de fazer um ataque cerrado à política externa norte-americana, - posição já expressa no tal discurso de aceitação do Nobel da Literatura - sobretudo por causa da invasão do Iraque. Chamar a Tony Blair, então ainda primeiro ministro-britânico, "idiota iludido" e a George W. Bush, "assassino em massa", não pode ser apenas mera oposição política. Advém de alguém que se recusou a fazer o serviço militar, em 1948. Provavelmente conhecera na pele os horrores da guerra!
SAMUEL P. HUNTINGTON (1927-2008)
Acabo de saber da morte de Samuel Huntington, autor de “O Choque das Civilizações e a Mudança na Ordem Mundial”, obra que li quase de um fôlego há pouco mais de dois anos (Julho de 2006). Fora-me recomendada por razões profissionais, aquando de uma acção de formação. Deveria indicar aos alunos a leitura de algumas páginas e, naturalmente, era salutar que tivesse uma visão de conjunto. Devo acrescentar que o seu conteúdo não constituía absoluta novidade, ou porque já encontrara pontos de vista semelhantes em artigos de revistas ou jornais, ou porque conversações ocasionais proporcionaram a expressão de ideias muito próximas. No entanto, quando esta temática – os choques civilizacionais – foram tema de um debate nos “Prós e Contras”, fiquei perplexo quando um professor de uma universidade, na primeira fila, considerou o livro de Huntington “cientificamente sofrível”. Ideias são ideias e cada um pode dizer o que quiser, mas fundamentado. E que fundamentos tenho eu para o contestar. Mas aquela expressão assim a seco deixou-me um pouco abalado. Considero que é muito cedo ainda para tal afirmação, a não ser que tantos acontecimentos que nos vão envolvendo sejam meros actos fortuitos.
Honra ao homem e à obra, pelo menos porque considero o seu ponto de vista mais «uma pedrada no charco».
Honra ao homem e à obra, pelo menos porque considero o seu ponto de vista mais «uma pedrada no charco».
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Um livro – A Rota das Especiarias
Oferta, foi um livro que li durante as férias. Um olhar para o mar e um «sonho» daquilo que aprendi e ensino. Sim, porque a nossa história dá-nos a nossa visão, sobretudo. Mas também não há versões definitivas. Independentemente desta “querela” – qual a melhor história não há – gostei imenso do livro. Não é que ponha em causa o labor pátrio e os seus heróis. Factos são factos! No entanto, e fazendo jus ao autor, gostei desta afirmação:os portugueses foram descobridores no Atlântico, conquistadores no Índico e comerciantes no Oriente Extremo.
Outro aspecto que advém da leitura: a dinâmica que a busca e o controlo das especiarias impuseram à civilização, durante séculos.
Apesar da distância do tempo – Agosto já lá vai – deixo o meu testemunho e a minha recomendação: quem quiser ter uma visão mais completa da rota das especiarias ao longo da história de vários séculos, povos e dirigentes políticos, onde não faltam heróis e vilãos, deve lê-lo.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
João Ubaldo Ribeiro
Nunca li qualquer obra do prémio Camões 2008, mas o seu nome não me era desconhecido. E quando li o pequeno texto da coluna de Henrique Raposo (Expresso de 02 Agosto 2008) não percebi aquele «monólogo de uma libertina» e «No Ocidente, também há homens que não se importariam de enfiar burkas em todas as mulheres ‘gostosíssimas’». Curiosamente, na mesma edição do Expresso, no caderno Actual, lá aparecia a explicação: Ubaldo “se tornou notícia em Portugal por duas cadeias de supermercados terem proibido a venda do romance «A Casa dos Budas Ditosos» devido às suas obscenidades”.
Afinal, os ditos cujos “palavrões” não são apenas literatura; dão também muito dinheiro. Daí aquela liberdade de criança: dizer palavrões era ser grande, era deixar de ser pequenino. E o dinheiro sempre dá liberdade e grandeza. E como é que se consegue dizer o contrário aos alunos, sobretudo em momentos de rebeldia ou de grandeza? São mal-educados... Arte e liberdade em confronto…
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