Ter um livro, ler um livro ... sonhos de infância. Depois uma adivinha: «Qual a coisa qual é ela que dá tudo quanto tem e com tudo se fica?» Resposta: o LIVRO.
Agora esta "computorização" do livro! Adorei.
domingo, 18 de abril de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Diário de Anne Frank
Quem ainda não leu O Diário de Anne Frank?
(PÚBLICO) 2010.Jan.13 Susana Almeida Ribeiro
Miep Gies manteve os manuscritos a salvo dos nazis, na esperança de um dia poder devolvê-los à autora, que entretanto morreu num campo de concentração
Tinha 100 anos e foi uma das pessoas que ajudaram Anne Frank e a família a esconderem-se dos nazis. Miep Gies, guardiã dos manuscritos que deram origem ao clássico universal O Diário de Anne Frank, morreu ontem, na Holanda, na sequência de uma queda que tinha dado por altura do Natal.
Nascida em Viena, a 15 de Fevereiro de 1909, Miep Gies mudou-se com a família para a Holanda em 1922. Conheceu a família Frank em 1933, quando.se candidatou a uma vaga para secretária na empresa de especiarias Opekta, dirigida pelo pai de Anne Frank, Otto Frank.
Foi em 1942, em plena II Guerra Mundial, que lhe foi confiado um segredo: "Otto Frank, o meu chefe, pediu-me que passasse pelo seu escritório. Quando entrei, disse-me: 'Senta-te. Tenho uma coisa muito importante para te contar. Um segredo, na verdade. Pensámos em nos esconder, aqui, neste prédio. Estarias disponível para nos ajudar, para nos trazeres comida?' Eu respondi que sim, naturalmente", contou a própria Gies numa entrevista publicada no site da Casa de Anne Frank, transformada em casa-museu.
A última sobrevivente do grupo de pessoas que escondeu os Frank sempre recordou que os verdadeiros heróis em toda a história foram pessoas como o seu próprio marido, Jan, a par com outros funcionários da empresa de Otto, que, em conjunto, ajudaram os oito judeus escondidos no sótão do número 263 de Prinsengracht, em Amesterdão. "Eles estavam indefesos, não sabiam para onde se virar... Cumprimos as nossas obrigações enquanto seres humanos: ajudámos pessoas em dificuldade."
A função de Miep era levar à família vegetais e carne, ao passo que outras pessoas tinham a função de lhes entregar pão e livros.
Depois de os nazis terem descoberto o anexo secreto, após uma denúncia às autoridades, e terem detido a família Frank, Miep Gies voltou ao sótão e encontrou, no chão, os manuscritos de Anne. Na altura recorda-se de ter decidido que não iria lê-los, respeitando o direito da autora à privacidade. Nessa altura limitou-se a recolher e a pôr a salvo os documentos.
Património documental
Mas nunca conseguiria devolvê-los à autora. Anne Frank acabou por morrer de febre tifóide no campo de concentração de Bergen-Belsen, a 12 de Março de 1945, quando tinha apenas 15 anos – e por isso, nesse mesmo ano, Miep entregou os documentos a Otto, o único membro da família de Anne que conseguiu sobreviver aos campos de concentração alemães.
A obra foi finalmente publicada, em formato de diário, em 1947. O livro converteu-se num êxito universal – estima-se que esteja, hoje, entre os dez livros mais lidos do mundo –, com tradução em 60 línguas e mais de 25 milhões de exemplares vendidos, afirmando-se como um dos testemunhos mais vivos da implacável perseguição nazi aos judeus durante o Holocausto.
O Diário de Anne Frank integra, aliás, a lista de 35 bens do património documental mundial "de interesse universal" propostos em 2009 pela UNESCO ao programa Memória do Mundo.
Desde a publicação da obra, Miep Gies viajou por todo o mundo narrando as suas experiências durante o Holocausto e a trágica perseguição aos judeus, o que lhe valeu um enorme reconhecimento público.
Refutou, durante toda a vida, as alegações de que o diário da jovem autora teria sido forjado.
Em Agosto do ano passado foi anunciado um filme da Disney acerca da vida de Anne Frank. O argumento e a realização ficarão a cargo de David Mamet.
Horror e paixão que se cruzam em esperança e dor...
Uma homenagem àquela a quem devemos esse «milagre da salvação» aqui fica para nos recordarmos que os erros daqueles homens não podem voltar, jamais.
1909-2010
Miep Gies
A guardiã do Diário de Anne Frank
Miep Gies
A guardiã do Diário de Anne Frank
(PÚBLICO) 2010.Jan.13 Susana Almeida Ribeiro
Miep Gies manteve os manuscritos a salvo dos nazis, na esperança de um dia poder devolvê-los à autora, que entretanto morreu num campo de concentração
Tinha 100 anos e foi uma das pessoas que ajudaram Anne Frank e a família a esconderem-se dos nazis. Miep Gies, guardiã dos manuscritos que deram origem ao clássico universal O Diário de Anne Frank, morreu ontem, na Holanda, na sequência de uma queda que tinha dado por altura do Natal.
Nascida em Viena, a 15 de Fevereiro de 1909, Miep Gies mudou-se com a família para a Holanda em 1922. Conheceu a família Frank em 1933, quando.se candidatou a uma vaga para secretária na empresa de especiarias Opekta, dirigida pelo pai de Anne Frank, Otto Frank.
Foi em 1942, em plena II Guerra Mundial, que lhe foi confiado um segredo: "Otto Frank, o meu chefe, pediu-me que passasse pelo seu escritório. Quando entrei, disse-me: 'Senta-te. Tenho uma coisa muito importante para te contar. Um segredo, na verdade. Pensámos em nos esconder, aqui, neste prédio. Estarias disponível para nos ajudar, para nos trazeres comida?' Eu respondi que sim, naturalmente", contou a própria Gies numa entrevista publicada no site da Casa de Anne Frank, transformada em casa-museu.
A última sobrevivente do grupo de pessoas que escondeu os Frank sempre recordou que os verdadeiros heróis em toda a história foram pessoas como o seu próprio marido, Jan, a par com outros funcionários da empresa de Otto, que, em conjunto, ajudaram os oito judeus escondidos no sótão do número 263 de Prinsengracht, em Amesterdão. "Eles estavam indefesos, não sabiam para onde se virar... Cumprimos as nossas obrigações enquanto seres humanos: ajudámos pessoas em dificuldade."
A função de Miep era levar à família vegetais e carne, ao passo que outras pessoas tinham a função de lhes entregar pão e livros.
Depois de os nazis terem descoberto o anexo secreto, após uma denúncia às autoridades, e terem detido a família Frank, Miep Gies voltou ao sótão e encontrou, no chão, os manuscritos de Anne. Na altura recorda-se de ter decidido que não iria lê-los, respeitando o direito da autora à privacidade. Nessa altura limitou-se a recolher e a pôr a salvo os documentos.
Património documental
Mas nunca conseguiria devolvê-los à autora. Anne Frank acabou por morrer de febre tifóide no campo de concentração de Bergen-Belsen, a 12 de Março de 1945, quando tinha apenas 15 anos – e por isso, nesse mesmo ano, Miep entregou os documentos a Otto, o único membro da família de Anne que conseguiu sobreviver aos campos de concentração alemães.
A obra foi finalmente publicada, em formato de diário, em 1947. O livro converteu-se num êxito universal – estima-se que esteja, hoje, entre os dez livros mais lidos do mundo –, com tradução em 60 línguas e mais de 25 milhões de exemplares vendidos, afirmando-se como um dos testemunhos mais vivos da implacável perseguição nazi aos judeus durante o Holocausto.
O Diário de Anne Frank integra, aliás, a lista de 35 bens do património documental mundial "de interesse universal" propostos em 2009 pela UNESCO ao programa Memória do Mundo.
Desde a publicação da obra, Miep Gies viajou por todo o mundo narrando as suas experiências durante o Holocausto e a trágica perseguição aos judeus, o que lhe valeu um enorme reconhecimento público.
Refutou, durante toda a vida, as alegações de que o diário da jovem autora teria sido forjado.
Em Agosto do ano passado foi anunciado um filme da Disney acerca da vida de Anne Frank. O argumento e a realização ficarão a cargo de David Mamet.
GALILEU - Portugal esperou 400 anos pela tradução do «Mensageiro das Estrelas»
[Sabia que...] Livro foi escrito em 1610. Para o comissário do Ano Internacional da Astronomia em Portugal, esta obra é "um marco na Astronomia e na ciência"
Chama-se O Mensageiro das Estrelas, Sidereus Nuncius, no original, e é a primeira obra de Galileu a ser traduzida na íntegra em Portugal. O lançamento, marcado para 17 de Março, encerra as comemorações em Portugal do Ano Internacional da Astronomia, que celebrou os 500 anos das primeiras observações do céu com um telescópio, feitas por Galileu.
Escrito há 400 anos, o Mensageiro das Estrelas, ou Mensagem das Estrelas, é considerada uma das obras mais importantes do pensamento ocidental, é um marco na história da Astronomia, diz num comunicado João Fernandes, comissário do Ano Internacional da Astronomia em Portugal.
Com tradução e anotações de Henrique Leitão, investigador do Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia, coordenador da edição completa das obras de Pedro Nunes, lançadas pela Fundação Calouste Gulbenkian, O Mensageiro das Estrelas é, nas palavras do próprio tradutor, "um livro único na história da ciência e uma das obras mais importantes em toda a história do pensamento ocidental".
"Nunca na história da ciência uma obra provocou tanta comoção e deu origem a debates tão acesos como esta", diz o investigador sobre a obra, publicada em 1610 e escrita para "causar sensação". "Tem uma clara conotação jornalística: relatar, em tom vivo e rápido acontecimentos e observações sensacionais. Galileu escreveu para causar sensação", explica Henrique Leitão.
Para o comissário para o Ano Internacional em Portugal, João Fernandes, O Mensageiro das Estrelas é "um marco na Astronomia e na ciência". No livro, Galileu revela e discute as primeiras observações astronómicas alguma vez feitas com o auxílio de um telescópio.
Com nota de abertura do investigador belga Sven Dupré, um dos maiores especialistas mundiais no telescópio de Galileu, o livro integra ainda um estudo e a tradução de Henrique Leitão, uma cronologia e ainda um fac-símile integral da edição original do Sidereus Nuncius, de 1610.
"É [um livro] dirigido para um público geral, mas instruído. Isto é, dirige-se exactamente ao mesmo tipo de pessoas a que Galileu tentou chegar quando publicou o seu livro em 1610", refere Henrique Leitão, que lembra que, apesar de ser a primeira vez que se traduz uma obra de Galilei em Portugal, O Mensageiro das Estrelas já tinha uma tradução em Português feita no Brasil.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
LIVROS DE SEMPRE E PARA SEMPRE

Desta lista, já li muitos. Quantos me faltam? Também muitos!
E quais os escritores portugueses representados?
Já leu algum destes livros?
(Expresso) 2009.Julho.04
(Expresso) 2009.Julho.04
A "Newsweek" fez uma lista com os cem melhores livros de sempre
Começámos por seleccionar 10 listas diferentes dos melhores livros que julgamos representar uma mistura ecléctica dos gostos dos leitores e não apenas uma lista limitada dos Grandes Livros do Mundo Ocidental. Para ser considerada, a lista tinha que ser de livros escritos em inglês ou traduzidos para inglês. As listas que seleccionámos vão desde as muito eruditas (a do St. John's College) às muito mais acessíveis (o Clube de Livros de Oprah e os livros mais vendidos da Wikipédia).
Algumas apresentavam apenas romances, enquanto outras incluíam uma mistura de ficção e não ficção. Umas continham apenas obras do século XX e outras iam até aos primórdios da civilização ocidental. O nosso objectivo foi o de tomar em consideração um conjunto de factores – incluindo o impacto do livro na história, a sua contribuição intelectual para a nossa cultura, a sua relevância actual e popularidade continuada. Não pretendeu ser uma lista abrangente dos melhores livros de sempre, mas antes um reflexo das paixões e apreciações de leitores e críticos inteligentes do nosso tempo.
A lista completa das 10 listas anteriormente publicadas em que nos baseámos inclui 110 melhores livros/ A Biblioteca Perfeita do "The Telegraph", 100 melhores livros do "The Guardian", Clube de Leitura da Oprah, a lista de leitura do St. John's College, a lista dos livros mais vendidos de sempre da Wikipédia, os livros do século da New York Public Library, a lista dos 100 melhores romances do século XX do Radcliffe Publishing Course, os 100 melhores romances e as 100 melhores obras de ensaio da Modero Library. Os 100 melhores romances em língua inglesa desde 1923 até ao presente, da "Time", e a lista da "Newsweek" das suas 50 escolhas actuais.
Depois de todas as listas serem seleccionadas e de todos os títulos serem introduzidos numa base de dados, criámos um sistema de ponderação para que cada título individual fosse pontuado igualmente, quer viesse de uma lista grande ou de uma lista pequena, de uma lista de ficção ou de géneros mistos, ou de uma lista que incluísse apenas livros escritos no século XX ou títulos de um passado mais remoto. A ponderação ajustou estas diferenças individuais entre listas. No resultado final, o livro com maior pontuação combinada é o n.º 1 da lista, o segundo é o n.º 2 e por aí adiante até ao fim da lista. No caso de empate – e houve muitos – desempatámos atribuindo o valor mais alto ao livro que obteve maior número de resultados no Google, numa busca por autor e título.
Na nossa metaclassificação, anotamos que livros foram recomendados em que lista ou listas. Se clicarmos em cada uma das listas, veremos em que lugar cada livro aparece na respectiva lista (embora em algumas dessas listas os livros estivessem classificados e ordenados e noutras não, o que foi tomado em conta ao atribuirmos uma classificação a cada livro).
Peter W. Bernstein, AnnaIyn Swan (ASAP Media)
Análise estatística: Courtney Kennedy Investigação: Emmelyn Stevens
ESQUECIDOS
Os dez livros que faltam
Algumas apresentavam apenas romances, enquanto outras incluíam uma mistura de ficção e não ficção. Umas continham apenas obras do século XX e outras iam até aos primórdios da civilização ocidental. O nosso objectivo foi o de tomar em consideração um conjunto de factores – incluindo o impacto do livro na história, a sua contribuição intelectual para a nossa cultura, a sua relevância actual e popularidade continuada. Não pretendeu ser uma lista abrangente dos melhores livros de sempre, mas antes um reflexo das paixões e apreciações de leitores e críticos inteligentes do nosso tempo.
A lista completa das 10 listas anteriormente publicadas em que nos baseámos inclui 110 melhores livros/ A Biblioteca Perfeita do "The Telegraph", 100 melhores livros do "The Guardian", Clube de Leitura da Oprah, a lista de leitura do St. John's College, a lista dos livros mais vendidos de sempre da Wikipédia, os livros do século da New York Public Library, a lista dos 100 melhores romances do século XX do Radcliffe Publishing Course, os 100 melhores romances e as 100 melhores obras de ensaio da Modero Library. Os 100 melhores romances em língua inglesa desde 1923 até ao presente, da "Time", e a lista da "Newsweek" das suas 50 escolhas actuais.
Depois de todas as listas serem seleccionadas e de todos os títulos serem introduzidos numa base de dados, criámos um sistema de ponderação para que cada título individual fosse pontuado igualmente, quer viesse de uma lista grande ou de uma lista pequena, de uma lista de ficção ou de géneros mistos, ou de uma lista que incluísse apenas livros escritos no século XX ou títulos de um passado mais remoto. A ponderação ajustou estas diferenças individuais entre listas. No resultado final, o livro com maior pontuação combinada é o n.º 1 da lista, o segundo é o n.º 2 e por aí adiante até ao fim da lista. No caso de empate – e houve muitos – desempatámos atribuindo o valor mais alto ao livro que obteve maior número de resultados no Google, numa busca por autor e título.
Na nossa metaclassificação, anotamos que livros foram recomendados em que lista ou listas. Se clicarmos em cada uma das listas, veremos em que lugar cada livro aparece na respectiva lista (embora em algumas dessas listas os livros estivessem classificados e ordenados e noutras não, o que foi tomado em conta ao atribuirmos uma classificação a cada livro).
Peter W. Bernstein, AnnaIyn Swan (ASAP Media)
Análise estatística: Courtney Kennedy Investigação: Emmelyn Stevens
ESQUECIDOS
Os dez livros que faltam
As listas dos 'melhores' livros de sempre são como as sondagens: valem o que valem. No top-100 da "Newsweek", à subjectividade que qualquer escolha deste tipo sempre acarreta, juntam-se dois factores que lhe limitam o alcance e a utilidade: a desproporção de referências literárias anglófonas (81% dos títulos), que remete o resto do mundo a uma injustíssima quase inexistência, e o facto de alguns autores estarem representados por dois ou três livros. Para um europeu é incompreensível que estejam ausentes nomes como os de Camões, Cervantes, Balzac, Eça de Queirós, Oscar Wilde, Pirandello, Pessoa, Camus, Beckett, Italo Calvino, Yasunari Kawabata, Elias Canetti, Julio Cortázar, J. M. Coetzee, Orhan Pamuk, por troca com autores menores como W. E. B. Du Bois, Ken Kesey, James Baldwin, E. B. White ou WiIIa Cather. Entre as grandes obras que esta lista ignora, contam-se estas dez:
ORLANDO FURIOSO, Ludovico Ariosto, 1516
OS LUSÍADAS, Luís Vaz de Camões, 1572
DOM QUIXOTE, Miguel de Cervantes, 1605-1615
TRISTRAM SHANDY, Laurence Sterne, 1759-1767
CRIME E CASTIGO, Dostoiévski, 1866
CONTOS, Tcheckov
A MONTANHA MÁGICA, Thomas Mann, 1924
O HOMEM SEM QUALIDADES, Robert Musil, 1943
FICÇÕES, Jorge Luis Borges, 1944
O QUARTETO DE ALEXANDRIA, Lawrence Durrell, 1960
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
CESÁRIO VERDE

Para quem gosta de Cesário e não só
Um inédito de Cesário
AMANHÃ PASSAM 123 ANOS SOBRE A MORTE DE CESÁRIO VERDE, POETA MAIOR DA NOSSA LÍNGUA. O EXPRESSO RECUPERA UM INÉDITO
TEXTO DE ERNESTO RODRIGUES (Expresso-actual, 2009.Julho.18)
HÁ NOTÍCIA de dois poemas de Cesário Verde (1855-1886) que ninguém encontra: Joel Serrão, no "Diário de Notícias" (23-3-1986), e Pedro da Silveira, no catálogo da exposição comemorativa do primeiro centenário da morte (Biblioteca Nacional, 1986), em 19 de Julho, lembram 'O Voto Negro' e 'Subindo'. Mas nunca se citou 'Escândalos', para o qual me alertou Mauro Nicola Póvoas, da Universidade Federal do Rio Grande (Sul do Brasil).
Não há edição séria de oitocentistas sem rastrear mais de cinco mil jornais e revistas, afora centenas de almanaques. De Antero a João de Deus, é forçosa esta revisão. Quanto a Cesário, diz ainda Silveira "ser quase certo ter colaborado no almanaque 'Hom'essa! Pist-ò-tira!' para 1877" (pág. 15), que se não encontra.
O primeiro poema datado, 'A Forca', traz 2 de Abril de 1873: é um dos três com que se estreia no "DN" de 12-11-1873, apresentado pelo redactor Eduardo Coelho, antigo marçano do pai, com loja de ferragens na Rua dos Fanqueiros. O "Diário Ilustrado" de 13 logo anuncia livro, "Cânticos do Realismo", em que se apoiou Teresa Sobral Cunha ("Cânticos do Realismo e Outros Poemas", 2006): além de remeter para Agosto a estreia em letra de forma, com versos não assinados na revista "Artes e Letras", procede a um alinhamento cronológico de 41 poemas, diverso da "Obra Completa" (2001), organizada por Joel Serrão, que faz seguir os 22 de "O Livro de Cesário Verde" (1887), por Silva Pinto, de 17 aí não incluídos.
Teria sido 1873 um ano tão produtivo para requerer volume? Se Cesário não contesta aquele título, certo é que, em Dezembro ou inícios de 1874, imprime e distribui a sátira "Ele / Ao Diário Ilustrado", jornal que diz um "vómito real". Entretanto, já no "DN", ou no portuense "Diário da Tarde" (menos em "A Tribuna" e "A Harpa"), 1874 será bem mais produtivo: referem-se, pelo menos, 17 produções com esta data, e venho acrescentar um capricho estival. Donde quase metade da cesárica produção é de 1874 – e, com razão, "A República" ,de 27 de Dezembro anunciava livro...
Entre títulos maioritariamente no plural e um efeito-surpresa característico, acresce o facto de as nossas quatro quintilhas em alexandrinos e quebra hexassilábica comparecerem no "Almanach XPTO para 1875" (Lisboa, 1874, pág. 30-31). Lançado como "Almanach X. P. T. O. / Popular, Joco Serio, Commercial, Artístico, Critico e Litterario / para 1870", são 32 páginas a duas colunas saídas da Tipografia Universal de Tomás Quintino Antunes, Rua dos Calafates, 110, ou seja, das máquinas do "DN", que hoje dá nome àquela rua. Apesar do tom, nomes do matutino colaboram em projecto editado até 1878 (para 1879), datas do número único do "Almanach Escandalo!!!", em que reencontramos Eduardo Coelho e assinatura de um XPTO ainda enigmático, que os dicionários de pseudónimos não contemplam, e pode ser José Inácio de Araújo (1827-1907), um ourives lisboeta que tanto distribuía versos como bom humor. O exclusivo deste J.I. d'Araujo, como assinava, está no segundo ano da publicação, em 1871 (para 1872); regressa em 1873 (para 1874) como "Almanach XPTO I Comico, Burlesco e Satyrico", contando, entre outros, até ao final com nomes como os de Brito Aranha, Gomes Leal, Júlio César Machado, Bulhão Pato, João de Deus, Costa Goodolphim e Guerra Junqueiro.
CESÁRIO VERDE escreveu as quatro quintilhas de 'Escândalos' em 1874
O poema
Com capa de Columbano Bordalo Pinheiro, o quarto número do "Almanach XPTO" encaixa o texto de Cesário como terceiro num lote de sete poemas, sendo parceiro mais conhecido Santos Valente. Aqui se transcreve, ípsís verbís (apesar de arrepios ortográficos, sobretudo no derradeiro e cínico verso, em resposta à mulher de fogo):
ESCANDALOS
Fallava-Ihe ella assim: – "Não sei
[porque me odeia.
"Não sei porque despreza a luz dos
[meus olhares.
"Se o adoro com fervor, se não me
[julgo feia.
"E o meu olhar eguala as chammas
[singulares
"Do incendio de Pompeia!
"Instiga-me o aguilhão do vicio
[fatigante.
"E crava-me o capricho os vigorosos
[dentes;
"Não quero o doce amor platonico do
[Dante
"E sinto vir a febre e as pulsações
[frequentes
"Ao vel-o, ó meu amante!
"As ancias, as paixões, os fogos, os
[ardores.
"Allucinada e louca, eu vejo que
[abomina.
"E ignoro com que fim, em tempos
[anteriores,
"Enchia me de gosto a bôca
[purpurina.
"E o seio de calores!"
E elle ao vel-a excitante, hysterica.
[exaltada.
Volveu lhe glacial, britannico,
[insolente:
– "A tua exaltação decerto não me
[agrada.
"E, ó minha libertina! eu quero-te
[somente
"Para mecher salada!"
Lisboa, Agosto, 1874
CESARIO VERDE
AMANHÃ PASSAM 123 ANOS SOBRE A MORTE DE CESÁRIO VERDE, POETA MAIOR DA NOSSA LÍNGUA. O EXPRESSO RECUPERA UM INÉDITO
TEXTO DE ERNESTO RODRIGUES (Expresso-actual, 2009.Julho.18)
HÁ NOTÍCIA de dois poemas de Cesário Verde (1855-1886) que ninguém encontra: Joel Serrão, no "Diário de Notícias" (23-3-1986), e Pedro da Silveira, no catálogo da exposição comemorativa do primeiro centenário da morte (Biblioteca Nacional, 1986), em 19 de Julho, lembram 'O Voto Negro' e 'Subindo'. Mas nunca se citou 'Escândalos', para o qual me alertou Mauro Nicola Póvoas, da Universidade Federal do Rio Grande (Sul do Brasil).
Não há edição séria de oitocentistas sem rastrear mais de cinco mil jornais e revistas, afora centenas de almanaques. De Antero a João de Deus, é forçosa esta revisão. Quanto a Cesário, diz ainda Silveira "ser quase certo ter colaborado no almanaque 'Hom'essa! Pist-ò-tira!' para 1877" (pág. 15), que se não encontra.
O primeiro poema datado, 'A Forca', traz 2 de Abril de 1873: é um dos três com que se estreia no "DN" de 12-11-1873, apresentado pelo redactor Eduardo Coelho, antigo marçano do pai, com loja de ferragens na Rua dos Fanqueiros. O "Diário Ilustrado" de 13 logo anuncia livro, "Cânticos do Realismo", em que se apoiou Teresa Sobral Cunha ("Cânticos do Realismo e Outros Poemas", 2006): além de remeter para Agosto a estreia em letra de forma, com versos não assinados na revista "Artes e Letras", procede a um alinhamento cronológico de 41 poemas, diverso da "Obra Completa" (2001), organizada por Joel Serrão, que faz seguir os 22 de "O Livro de Cesário Verde" (1887), por Silva Pinto, de 17 aí não incluídos.
Teria sido 1873 um ano tão produtivo para requerer volume? Se Cesário não contesta aquele título, certo é que, em Dezembro ou inícios de 1874, imprime e distribui a sátira "Ele / Ao Diário Ilustrado", jornal que diz um "vómito real". Entretanto, já no "DN", ou no portuense "Diário da Tarde" (menos em "A Tribuna" e "A Harpa"), 1874 será bem mais produtivo: referem-se, pelo menos, 17 produções com esta data, e venho acrescentar um capricho estival. Donde quase metade da cesárica produção é de 1874 – e, com razão, "A República" ,de 27 de Dezembro anunciava livro...
Entre títulos maioritariamente no plural e um efeito-surpresa característico, acresce o facto de as nossas quatro quintilhas em alexandrinos e quebra hexassilábica comparecerem no "Almanach XPTO para 1875" (Lisboa, 1874, pág. 30-31). Lançado como "Almanach X. P. T. O. / Popular, Joco Serio, Commercial, Artístico, Critico e Litterario / para 1870", são 32 páginas a duas colunas saídas da Tipografia Universal de Tomás Quintino Antunes, Rua dos Calafates, 110, ou seja, das máquinas do "DN", que hoje dá nome àquela rua. Apesar do tom, nomes do matutino colaboram em projecto editado até 1878 (para 1879), datas do número único do "Almanach Escandalo!!!", em que reencontramos Eduardo Coelho e assinatura de um XPTO ainda enigmático, que os dicionários de pseudónimos não contemplam, e pode ser José Inácio de Araújo (1827-1907), um ourives lisboeta que tanto distribuía versos como bom humor. O exclusivo deste J.I. d'Araujo, como assinava, está no segundo ano da publicação, em 1871 (para 1872); regressa em 1873 (para 1874) como "Almanach XPTO I Comico, Burlesco e Satyrico", contando, entre outros, até ao final com nomes como os de Brito Aranha, Gomes Leal, Júlio César Machado, Bulhão Pato, João de Deus, Costa Goodolphim e Guerra Junqueiro.
CESÁRIO VERDE escreveu as quatro quintilhas de 'Escândalos' em 1874
O poema
Com capa de Columbano Bordalo Pinheiro, o quarto número do "Almanach XPTO" encaixa o texto de Cesário como terceiro num lote de sete poemas, sendo parceiro mais conhecido Santos Valente. Aqui se transcreve, ípsís verbís (apesar de arrepios ortográficos, sobretudo no derradeiro e cínico verso, em resposta à mulher de fogo):
ESCANDALOS
Fallava-Ihe ella assim: – "Não sei
[porque me odeia.
"Não sei porque despreza a luz dos
[meus olhares.
"Se o adoro com fervor, se não me
[julgo feia.
"E o meu olhar eguala as chammas
[singulares
"Do incendio de Pompeia!
"Instiga-me o aguilhão do vicio
[fatigante.
"E crava-me o capricho os vigorosos
[dentes;
"Não quero o doce amor platonico do
[Dante
"E sinto vir a febre e as pulsações
[frequentes
"Ao vel-o, ó meu amante!
"As ancias, as paixões, os fogos, os
[ardores.
"Allucinada e louca, eu vejo que
[abomina.
"E ignoro com que fim, em tempos
[anteriores,
"Enchia me de gosto a bôca
[purpurina.
"E o seio de calores!"
E elle ao vel-a excitante, hysterica.
[exaltada.
Volveu lhe glacial, britannico,
[insolente:
– "A tua exaltação decerto não me
[agrada.
"E, ó minha libertina! eu quero-te
[somente
"Para mecher salada!"
Lisboa, Agosto, 1874
CESARIO VERDE
Soltas 1
Quando um «Nobel» é acusado de plágio
«Camilo José Cela
A memória e a obra do Nobel da Literatura galego ficarão manchadas pela sentença de uma juíza de um tribunal de Barcelona que considerou que no seu romance “A Cruz de Santo André” plagiou “Carmen, Carmela, Carmina”, de Maria del Cármen Formoso.»
(Alexandre Costa in Expresso-Actual de 2009.Abril.25)
A memória e a obra do Nobel da Literatura galego ficarão manchadas pela sentença de uma juíza de um tribunal de Barcelona que considerou que no seu romance “A Cruz de Santo André” plagiou “Carmen, Carmela, Carmina”, de Maria del Cármen Formoso.»
(Alexandre Costa in Expresso-Actual de 2009.Abril.25)
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Casa da Moeda pode ter de destruir milhares de livros
A Várias centenas de milhares de livros editados há mais de quatro anos pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda (IN-CM) poderão ter que ser destruídos caso os autores ou seus herdeiros não os adquiram, reclamem ou permitam a doação. Alcides Gama, director comercial da IN-CM, disse à agência noticiosa Lusa que a pretensão não é destruir livros, mas antes encontrar instituições, como bibliotecas, que os acolham, já que livros são "cultura". Não é porém possível que a IN-CM continue com todas aquelas obras em armazém porque ocupam um espaço "infindo", disse. Para encontrar instituições que acolham as obras publicadas há mais de quatro anos e que não obtiveram sucesso comercial, a IN-CM está a encetar contactos com a Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP), câmaras municipais, Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, Ministério da Cultura e bibliotecas de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). A oferta de livros a instituições aca-ba, porém, por levantar um problema para Alcides Gama: "Se as bibliotecas se habituam a receber os livros oferecidos acabam por não os comprar e os livros são feitos para ser vendidos", defende.
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